Por: Revista do Correio, Correio Braziliense, 18/02/2007
(c) Monique Renne/Especial para o CB
A rotina já é conhecida. Às vezes, o primeiro gesto de carinho ao acordar são as lambidas ávidas do cão. Outras manhãs, ele tem de ficar mais distante e arranha a porta, ou então late do lado de fora do quarto. Quando não está com essa energia toda, algo errado aconteceu, e levá-lo ao veterinário é a opção mais acertada. Isso sem falar nas saídas para comprar a melhor ração, o sabonete especial e o xampu antipulgas. Não há dúvida: os cachorros fazem seus donos se movimentarem bastante para agradá-los.
Toda a atenção e afeto que os bichos de estimação dedicam a seus donos, a qualquer momento do dia ou da noite, trazem um benefício imenso à saúde das pessoas. Isso, principalmente, porque agem como incríveis redutores do estresse, causa primordial de uma série de doenças. O que os pesquisadores da Escola de Psicologia da Universidade de Queens, na Irlanda, descobriram recentemente que não há animal melhor para a companhia do que o cachorro. Eles encontraram evidências de que os donos de cães têm taxas menores de colesterol e pressão arterial, além de serem menos propensos a desenvolver distúrbios de saúde — dos simples aos mais sérios.
E não é só: o contato social que eles obrigam seus donos a estabelecer quando saem à rua ou os levam ao pet shop traz benefícios psicológicos e físicos de forma indireta. “A atividade física que os cães proporcionam aos donos, juntamente com os laços de amizade que criam com os seres humanos, trazem melhoras em todas as áreas da vida”, explica o médico geriatra Renato Maia, que coordena o programa Pet Terapia na Universidade de Brasília (UnB). O projeto utiliza cachorros para a recuperação e motivação de idosos. “A redução nos níveis de glicose e colesterol está ligada à diminuição do estresse nas pessoas que convivem com os bichos, e isso em qualquer idade”, afirma.
Quem tem um cachorro se sente útil, necessário e querido, e isso é fundamental para a manutenção da saúde. Mas é claro que a raça do amigo é importante na hora de escolher a melhor companhia. O psicólogo Sérgio Leme acredita que se a pessoa escolher mal, o bichinho pode até ser fonte de mais estresse: “O poodle, labrador, golden retriever e pastor alemão são dóceis e obedientes, geralmente o trabalho com esses animais dá resultados mais positivos”. A veterinária Damaris Rizzo, por sua vez, acrescenta que o dono deve procurar um bicho que tenha mais a ver com sua própria personalidade. “Se a pessoa é calma e tranqüila, deve optar por um animal com este perfil, e assim para todos os traços básicos de sua personalidade. Sempre lembrando, no entanto, que essas são características mutáveis em cada cachorro”, destaca.
A vendedora Adda Raquel Costa, 20 anos, tem dois fiéis companheiros: José Eugênio, um dachshund, e Beatriz, uma schnouzer. Como ela mora em um apartamento com a família, faz questão de sair com os bichinhos para passear pelo menos três vezes por semana. “Eu saio para lanchar e os levo junto, vou para feiras e eles estão ao meu lado. Procuro, também, me exercitar no Parque da Cidade na companhia dos dois”, afirma. Quando Adda está triste ou irritada depois de um dia difícil, eles logo percebem. “Parece que sentem que estou mal e tentam me confortar. A primeira coisa que faço quando chego em casa é brincar com os dois”, conta.
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