Friday, June 29, 2007

Hemisfério Norte absorve menos CO2 do que estimado

PESQUISA FAPESP
Destaques da Science de 22/06/2007 (Vol. 316, N°. 5832)

Parte do carbono que se pensava ser retirado do ar pelas florestas temperadas é captado nos trópicos, afirma trabalho

Preservar a Amazônia (e outras matas tropicais) se tornou ainda mais importante para a manutenção do clima da Terra, segundo estudo de um grupo de pesquisadores de sete países. Motivo: cerca de 40% do dióxido de carbono (CO2) que se estimava ser retirado da atmosfera pelas florestas do hemisfério norte é, na verdade, absorvido nos trópicos. A afirmação é da equipe liderada por Britton Stephens, do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica (EUA), que analisou amostras de ar coletadas em 12 locais da Terra por aeronaves nos últimos 27 anos e as comparou com os respectivos níveis de gás carbônico previstos por 12 modelos de transporte atmosférico. Depois de ter feito tal confronto, os cientistas perceberam que os modelos atuais subestimaram significativamente a quantidade de gás acumulada na parte setentrional do planeta. Os novos dados mostram que as florestas do norte absorvem apenas 1,5 bilhões de toneladas de carbono por ano – quase um bilhão de toneladas a menos do que o previamente calculado.

Os autores do trabalho também descobriram que os ecossistemas tropicais, apesar da ocorrência de desmatamentos e queimadas, emitem muito menos gás carbônico do que se pensava. Os modelos anteriores previam que, no total, essas regiões despejavam 1,8 bilhões de toneladas de carbono por ano (subtraindo-se a quantidade de carbono absorvida do total emitido por desmatamento e queimadas). Os novos dados, no entanto, mostram que as florestas tropicais, como a Amazônia, são responsáveis por lançar apenas 100 milhões de toneladas de carbono por ano. “Elas estão ajudando a cancelar as emissões industriais e os impactos atmosféricos do desmatamento mais do que percebíamos”, diz Stephens.

Das cerca de 8 bilhões de toneladas de carbono emitidas anualmente, a atmosfera acumula aproximadamente 40% desse total. Outros 30% são absorvidos pelos oceanos e os cientistas acreditam que os ecossistemas terrestres, especialmente as árvores, aprisionam o restante. Modelos de computador sugerem que as florestas no hemisfério norte seriam responsáveis por retirar do ar cerca de 2,4 bilhões de toneladas de carbono por ano. No entanto, até hoje estudos de campo só conseguiram medir metade desse valor, um mistério que levou muitos cientistas a procurar o destino do carbono ainda não localizado. Se as previsões da equipe de Stephens estiverem corretas, uma pista para resolver esse enigma pode ter sido encontrada.

Thursday, June 28, 2007

Amaranto, opção contra o colesterol

Planta consumida na América pré-colombiana é introduzida no Brasil
Mariana Ferraz
Ciência Hoje/RJ


O Amaranthus cruentus , espécie que melhor se adaptou às condições climáticas locais, já está sendo cultivado no país. (Crédito: Carlos R. Spehar).


O amaranto, um dos vegetais mais importantes da América pré-colombiana, cujo consumo foi proibido pelos espanhóis por estar associado a práticas religiosas, começa a ser reabilitado por cientistas brasileiros com um nobre fim: pesquisas recentes mostram que, além de ser altamente nutritivo, o amaranto é um excelente redutor dos níveis de colesterol plasmático, que provoca o entupimento dos vasos sangüíneos.

A conclusão é resultado de um estudo feito pelo Laboratório de Bioquímica e Propriedades Funcionais dos Alimentos da Universidade de São Paulo (USP), que investiga os chamados alimentos funcionais – aqueles que, além de suas funções nutricionais básicas, trazem algum benefício adicional para a saúde. O coordenador do projeto, o cientista de alimentos José Alfredo Gomes Arêas, conta que o conceito de alimentos funcionais surgiu na década de 1980, quando o governo japonês percebeu uma piora da saúde da população nipônica decorrente de seus hábitos alimentares e estimulou o consumo de certos produtos, entre eles, a soja, obtendo bons resultados.

A equipe de Arêas começou a estudar o amaranto em 1997, tendo realizado, desde então, diversos testes com animais para entender como a planta reduz as taxas de colesterol. Após induzirem o aumento do colesterol total e do LDL (o chamado mau colesterol) em hamsters e coelhos, através de alimentos ricos em ácidos graxos saturados e outros compostos, os pesquisadores administraram uma dieta contendo o amaranto.

Os resultados obtidos nos experimentos levaram os cientistas a concluir que a fração protéica do amaranto é a responsável pela redução do colesterol, pois as proteínas, ao serem ‘quebradas’ na digestão, transformam-se em peptídeos (pequenas cadeias de aminoácidos) capazes de inibir a enzima responsável pelo acúmulo do colesterol. Mas o mecanismo ainda não está completamente elucidado e a equipe continua investigando.

Arêas também realizou, em parceria com o Instituto do Coração (InCor) de São Paulo, estudos com pacientes do hospital, cuja taxa de colesterol estava elevada. A administração de amaranto, mesmo em pouca quantidade, junto com estatinas, diminuiu mais acentuadamente os níveis de colesterol dos pacientes. O pesquisador ressalta, entretanto, que mais estudos são necessários para que se possa avaliar a real participação do amaranto, uma vez que o número de pacientes testados era pequeno e eles também foram tratados com medicamentos. “É muito difícil acharmos as condições ideais para conduzirmos nosso estudo. Precisaríamos de um controle rígido da dieta dos envolvidos”, explica o pesquisador.

Muito nutritivo

Além da comprovada redução do colesterol em animais, o amaranto é naturalmente rico em proteínas de alto valor biológico (uma medida do aproveitamento da proteína pelo organismo), o que, segundo Arêas, não é comum em vegetais -- a maioria deles não têm alguns aminoácidos essenciais e seu aproveitamento é de 60% ou menos. “A proteína do amaranto pode ser comparada à do leite”, diz. A planta é ainda fonte de cálcio biodisponível (pronto para ser assimilado pelo organismo), outro fato incomum nos vegetais. Por fim, o amaranto também não contém glúten ou outras substâncias alergênicas em sua composição, o que o torna uma opção para os celíacos – pessoas com intolerância ao glúten.

Mas como consumir o amaranto? Como o alimento não faz parte da cultura alimentícia brasileira, a equipe da USP investiga formas de uso da planta, que tem na semente a parte comestível mais importante. “O amaranto é conhecido como um pseudocereal, porque é parecido com os cereais, sobretudo sua semente”, conta o pesquisador. A semente, que, quando aquecida, estoura como pipoca, está sendo utilizada para a criação de barras de cereais, granola e até salgadinhos. “A idéia não é consumir diretamente a semente, mas sim introduzi-la como ingrediente em alimentos para os quais o paladar do brasileiro já está acostumado, assim como foi feito com a soja. O brasileiro raramente consome o grão da soja, mas ingere com freqüência produtos que têm soja em sua composição.”

Antes, porém, de chegar ao mercado, o amaranto deve começar a ser cultivado no Brasil. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Cerrados e a Universidade de Brasília (UnB), entre outras instituições, já estão se encarregando da pesquisa agronômica para disseminar o vegetal no país. Carlos Roberto Spehar, agrônomo da Embrapa e responsável por essa etapa do projeto, conta que a intenção é diversificar a agricultura. “A produção de grãos no país é baseada em poucas espécies, o que torna as lavouras mais suscetíveis a pragas e doenças”, afirma. Em um grande esforço para vencer a resistência à sua aceitação, o projeto incluiu a difusão de tecnologia de cultivo e uso. Assim, os agricultores foram ensinados a plantar o amaranto e a utilizá-lo na culinária.

Atualmente, alguns produtores já cultivam o Amaranthus cruentus , espécie que tem se adaptado melhor às condições climáticas locais. O trabalho compreende várias etapas, desde a genética e o melhoramento até a recomendação de cultivares. “Estamos estimulando outros agricultores a começarem a produção, de modo a que possam sair na frente quando houver maior demanda do mercado – o que certamente ocorrerá”, aposta Spehar. Segundo ele, a principal dificuldade é a falta de divulgação. “Assim que o brasileiro conhecer o amaranto, irá incorporá-lo na dieta”, finaliza.

FEIJÃO COM ARROZ NA LUTA CONTRA O CANCER

Prato preferido dos brasileiros pode prevenir câncer oral.
Fabíola Bezerra
Ciência Hoje/RJ




Os brasileiros receberam uma boa notícia. O bom e velho feijão com arroz, cativo na nossa mesa, pode ter efeito benéfico contra o câncer. A combinação, que está presente na alimentação da maioria dos brasileiros, independentemente de classe, cor ou religião, foi objeto de uma pesquisa que constatou sua capacidade de reduzir os riscos de desenvolver câncer oral.

A pesquisa, conduzida pela nutricionista Dirce Marchioni, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, faz parte de um estudo maior da Agência Nacional de Pesquisa em Câncer, que investigou a relação entre fatores ambientais e o câncer oral. Sem colesterol e com baixo teor de gorduras saturadas, os dois alimentos fornecem uma boa composição de proteínas, fibras e carboidratos. Contudo, o mecanismo que explicaria a proteção contra o câncer oral ainda não foi esclarecido totalmente.

Participaram do estudo 835 indivíduos da cidade de São Paulo, dos quais 366 sofriam de câncer de cavidade oral ou faringe. Outros 469 indivíduos faziam parte do grupo de controle, ou seja, não poderiam ter história ou suspeita de câncer nessas regiões do corpo. A análise incluiu indicadores socioculturais, fatores de risco como tabagismo e consumo de álcool, histórico familiar de câncer e um questionário sobre a dieta dos participantes. Observou-se uma tendência significativa de diminuição do risco de apresentar câncer oral ao se aumentar o consumo de arroz e feijão. "Quanto mais as pessoas do estudo consumiram arroz e feijão, menor foi a probabilidade de elas pertencerem ao grupo dos indivíduos com a doença", observa a nutricionista.

Em 2006, o câncer de cavidade oral, no Brasil, representou 2,8% de todas as neoplasias malignas, ocupando a sétima posição entre os cânceres mais comuns, e a quinta entre os homens, de acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer. Dos estados brasileiros, São Paulo apresenta a mais elevada incidência de câncer oral, seguido do Rio Grande do Sul.

Além dos fatores nutricionais, aspectos comportamentais também estão sendo estudados, com o objetivo de identificar a sua influência no aumento dos riscos da doença. Segundo Marchioni, os homens são mais propensos a desenvolverem esse tipo de câncer, uma vez que fumam e bebem mais que as mulheres. “Nas últimas décadas, no entanto, esse perfil vem mudando: fatores socioculturais têm levado as mulheres a fumar mais e consumir mais álcool.”

Embora sejam esperadas conclusões mais sólidas até o fim deste ano com o prosseguimento dos estudos, os resultados obtidos até agora permitem inferir sobre a importância da dieta como fator protetor de doenças carcinogênicas. Já se sabe que frutas, vegetais e leguminosas são aliados na prevenção do câncer. Marchioni ressalta que os resultados do trabalho ainda são preliminares e os efeitos benéficos dessa combinação dietética ainda devem ser mais bem explicados.

A nutricionista lamenta que os brasileiros estejam comendo menos feijão e atribui isso à dificuldade de preparo, à falta de tempo. Ela lembra que o Ministério da Saúde está empenhado em campanhas de incentivo ao consumo de feijão. “As leguminosas têm entrado na pauta das discussões científicas recentemente. Por serem grãos integrais, ricos em fibras e em antioxidantes, regulam a digestão e ainda podem prevenir o câncer. Por isso, há essa necessidade de resgate desse alimento.”

Wednesday, June 27, 2007

Babyrousa babyrussa

(1)



NOME COMUM: Babirusa
NOME EM INGLÊS: Babirusa
NOME CIENTÍFICO: Babyrousa babyrussa
FILO: Chordata
ORDEM: ARTIODACTYLA
CLASSE: Mammalia
FAMÍLIA: Suidae
SUBFAMÍLIA: Babyrousinae
PESO: Até 200 lb
TEMPO DE VIDA: em torno de 24 anos
TEMPO DE GESTAÇÃO: normalmente é de 155-158 dias
NÚMEROS DE FILHOTES: 2 no máximo 3

(2)

O babirusa (Babyrousa babyrussa) é um dos mamíferos mais estranhos, e é certamente um dos porcos selvagens mais extraordinários. Os caninos superiores do macho emergem na vertical dos alvéolos do maxilar, penetra pela pele do nariz e então sai em curva para cima e na frente da face; uma característica sem igual em mamíferos. Os caninos da mandíbula do macho também crescem em cima da frente da face. Esta particularidade aparece no macho de adulto (os caninos da fêmea ou estão ausentes ou notadamente reduzidos) este tipo de dente levou as pessoas acharem que ele era parecido com um antílope por isso o seu nome (i.e. ' babi' = porco e ' rusa' = cervo). A função destes dentes é desconhecida. Eles são bastante frágeis, e então facilmente se quebram, e eles são raramente usados em combate entre machos. Muito das informações disponível na história natural e biologia desta espécie é derivado do estudo de espécimes cativos de jardins zoológicos.

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O babirusa é o representante vivo exclusivo do subfamília Babyrousinae. Acreditam os estudiosos que o Babyrousa se desenvolveu desde os de Oligoceno (25 milhões de anos atrás) ao longo de uma linha evolutiva separada

A Babirusa em cativeiro pode se tornar sexualmente madura com cinco a dez meses de idade, e vivem em torno de 24 anos. Porém, é improvável que se reproduzem antes de 1 ano de idade. O ciclo estro dura entre 28 e 42 dias, e fêmeas em cativeiro geralmente entram novamente no cio dentro de 3 meses após o parto. O cio dura de 2-3 dias, e a duração de gestação normalmente é de 155-158 dias, entretanto já ocorreu casos de durar 171 dias. O número de filhotes é um ou dois, mas às vezes foram registrados nascimentos de trigêmeos ambos em cativeiro e na vida selvagem, já foram encontrados 4 fetos no ventre de uma fêmea selvagem. As fêmeas normalmente são bastante dóceis em cativeiro, mas ficam bastante agressivas quando estão com filhotes e até duas semanas após o nascimento.


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Fonte:
Texto - Lúcia H.S. De Cicco - www.saudeanimal.com.br
Fotos - (1) microecos.wordpress.com, (2) www.apus.ru, (3) www.50birds.com/gendwildlife4.htm, (4) www.unifi.it

Cenários da floresta

REVISTA PESQUISA FAPESP - Edição Impressa 136 - Junho 2007
Fabrício Marques
http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=3268&bd=1&pg=1&lg=

Modelos mostram que parte da Amazônia vai virar savana e sugerem que combate ao desmatamento pode amenizar o aquecimento global


© Paulo Artaxo

Queimada na Amazônia: o desafio é reduzir em 50% o desmatamento e manter esse nível até o final do século

Dois artigos científicos publicados no mês passado projetaram cenários para o futuro das florestas tropicais com base em cálculos e modelos computacionais. Aponta-se, por exemplo, uma alta probabilidade de que o aquecimento global vá converter uma parte da Amazônia brasileira em savanas, em decorrência da redução da quantidade de água no solo. Mas, por outro lado, tanto as mudanças globais como seus efeitos na cobertura vegetal poderão ser amenizados caso se reduzam os desmatamentos praticados pelo homem. Os artigos foram escritos por vários cientistas e, em comum, têm a assinatura do brasileiro Carlos Nobre, pesquisador do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e membro do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês), fórum criado pelas Nações Unidas.

Publicado no site da revista Science, o estudo Tropical forests, climate change and climate policy mostra que, caso seja mantido o ritmo de desmatamento dos últimos anos, a destruição das florestas tropicais deverá lançar uma quantidade adicional de 87 bilhões a 130 bilhões de toneladas de carbono até o ano 2100 – o equivalente a mais de uma década de emissões causadas por combustíveis fósseis. Mas, se os países conseguirem reduzir as taxas de desmatamento em 50% até 2050 e manter este ritmo até 2100, será possível eliminar 50 bilhões de toneladas de carbono. Isso equivale a mais de 10% dos cortes necessários para manter as concentrações atmosféricas de dióxido de carbono em 450 partes por milhão, limite acima do qual, segundo o IPCC, o aquecimento ultrapassará um patamar de 2ºC e produzirá problemas em escala global. O texto é assinado também por cientistas da Austrália, do Canadá, dos Estados Unidos, da França e do Reino Unido e foi divulgado na seção Policy Forum, na qual a Science recomenda estudos aplicáveis em políticas públicas.

Há tempos os países industrializados são apontados como os grandes responsáveis pelas emissões de gases causadores do efeito estufa, o que levou os cientistas a colocar em segundo plano o potencial de redução dos países em desenvolvimento. Estas nações ficaram fora da primeira fase de compromissos assumidos no Protocolo de Kyoto. Isso está mudando. Segundo dados chancelados pelo IPCC, o desmatamento de florestas tropicais lançou na atmosfera na década de 1990 cerca de 1,5 bilhão de toneladas de carbono por ano – ou 20% das emissões de gases causadores do efeito estufa promovidas pelo homem. Recentemente, no âmbito da Convenção sobre Mudanças Climáticas da ONU, surgiu uma iniciativa voltada para identificar políticas capazes de reduzir emissões do desmatamento em países em desenvolvimento. Foi esta iniciativa que abasteceu de dados o estudo publicado no site da Science.

Trajetória declinante - Além da importância de controlar a devastação, o artigo sugere que esse tipo de iniciativa está no rol das opções mais baratas para conter o desmatamento. Os pesquisadores destacam, porém, que países em desenvolvimento precisam de apoio financeiro para reduzir a devastação. “Tem que ser um esforço mundial e parte das reduções precisa ser financiada pelos países ricos”, diz Carlos Nobre.

Uma boa notícia é que o Brasil, na avaliação de Nobre, tem amplas condições de alcançar a meta de redução de 50% muito antes de 2050. “A trajetória dos desmatamentos no Brasil é declinante e sou otimista em relação à nossa capacidade de mantê-la sob controle no futuro”, afirma. “O poder público pela primeira vez tem tido ações efetivas para coibir o crime organizado que desmata a floresta, e já se vê o impacto disso. Por outro lado, a população brasileira tende a se estabilizar nas próximas décadas e as enormes áreas já desmatadas são mais do que suficientes para abrigar atividades econômicas da população rural atual e do projetado aumento desta população. O Brasil precisa se engajar, mas o quadro é favorável”, afirma. Já o caso das florestas tropicais da Indonésia é mais complexo, segundo o pesquisador. “O controle institucional lá é mais complicado e, como muito já foi desmatado, o que sobrou é especialmente vulnerável.”

O segundo estudo, publicado na revista Geophysical Research Letters, em parceria com os pesquisadores Luis Salazar, do Inpe, e Marcos Oyama, do Centro Técnico Aeroespacial, utilizou 15 modelos climáticos computacionais disponíveis para projetar o impacto do aquecimento global nos biomas da América do Sul. Estes modelos ainda apresentam grandes divergências de resultados, como no caso do regime de chuvas, por exemplo. “Há controvérsias, por exemplo, em relação ao papel das nuvens, que são de difícil representação nos modelos”, diz Nobre. O aumento da evaporação deverá estimular a formação de nuvens, que, ao refletir a radiação solar, podem servir de antídoto para o aquecimento e contrabalançar efeitos das mudanças globais. Esse tipo de incerteza ainda torna inviável, por exemplo, antever o destino da Caatinga brasileira. Mas há um consenso importante. Mais de 75% dos modelos convergem e indicam que é provável que o sudeste da Amazônia, principalmente as matas do estado do Pará, sofra um processo de savanização.

“Esta região já tem uma estação seca mais longa do que outras áreas da floresta. Os modelos indicam que, com uma evaporação maior e a conseqüente redução da quantidade de água no solo, ela pode tornar-se semelhante às regiões de Goiás e Tocantins”, diz Carlos Nobre. O pesquisador, contudo, evita comparar a biodiversidade que restará com o panorama do Cerrado. “Será uma savana bem mais empobrecida”, afirma. As projeções indicam uma redução de 18% das áreas cobertas por florestas tropicais até o final deste século, com o aumento de 30,4% das áreas cobertas por savanas.

Unesco inclui Galápagos em lista de locais sob risco

BBC BRASIL
26 de junho, 2007
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/06/070626_unescogalapagosfn.shtml

A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) incluiu nesta terça-feira as ilhas Galápagos na lista de patrimônios da humanidade ameaçados, para mobilizar apoio pela sua conservação.


Arquipélago equatoriano abriga espécies únicas no mundo

Além de colocar as 19 ilhas - que ficam a cerca de mil quilômetros da costa do Equador - na lista de patrimônios ameaçados, a Unesco também incluiu o Parque Nacional de Niokolo-Koba, no Senegal.

Segundo a Unesco, a vida selvagem única do arquipélago está sendo ameaçada pelo crescimento do turismo e pela imigração.

Em abril, o presidente do Equador, Rafael Correa, baixou um decreto que afirma que as ilhas Galápagos estão em risco e define como prioridade nacional a preservação da sua biodiversidade.

Cruzeiros

A Unesco diz que o número de dias passados no arquipélago por passageiros de navios de cruzeiro aumentou em 150% nos últimos 15 anos.

Este aumento teria levado à introdução no arquipélago de espécies estranhas à fauna local.

O arquipélago abriga dezenas de animais e plantas que não podem ser encontrados em nenhum outro lugar do mundo e correm risco de extinção.

Essas espécies inspiraram a Teoria da Evolução desenvolvida no século 19 pelo naturalista britânico Charles Darwin.

Represa


O Parque Nacional Niokolo-Koba, no Senegal, fica nas margens do rio Gâmbia.

As florestas e savanas do parque abrigam uma fauna rica que inclui espécies de antílopes, chimpanzés, leões, leopardos e uma grande população de elefantes, além de inúmeras aves, répteis e anfíbios.

O local está ameaçado pela caça clandestina e pelo projeto de construção de uma represa no rio Gâmbia, a apenas alguns quilômetros do parque.

A lista de patrimônios ameaçados elaborada pela Unesco inclui ainda o sítio arqueológico de Chan Chan, no Peru; monumentos medievais em Kosovo; a cidade antiga em Jerusalém e suas muralhas, entre outros.

Nenhum local no Brasil foi incluído na relação da Unesco.

Biodiversidade está diminuindo, diz relatório

BBC BRASIL
20 de março, 2006
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2006/03/060320_biodiversidadediminuifn.shtml

A biodiversidade está diminuindo, segundo o relatório Global Biodiversity Outlook (GBO, ou Previsão de Biodiversidade Global, em tradução livre).



O relatório foi publicado no momento em que delegações se reúnem no Brasil para a Convenção da ONU sobre Biodiversidade.

A convenção estabelece compromissos com governos para que o ritmo de diminuição da biodiversidade seja desacelerado até 2010.

Segundo o GBO, serão necessários "esforços sem precedentes" para atingir este objetivo.

O relatório estabelece 15 indicadores de progresso, que vão desde tendências na extensão de habitats até o acumulo de nutrientes como o nitrogênio, que podem prejudicar a vida marinha.

Apenas um dos 15 indicadores - a área mundial oficialmente protegida para a vida selvagem - está aumentando de acordo com a manutenção da biodiversidade.

Mas, mesmo neste indicador, a maioria das áreas ainda não chegou ao objetivo de proteger 10% de cada região que tenha combinações únicas de espécies.

Queda acelerada


Os outros indicadores mostram uma queda acelerada. Em conseqüência, a taxa de extinção de espécies chegou aos níveis mais altos desde a extinção dos dinossauros, há 65 milhões de anos.

As florestas estão sendo destruídas a uma taxa de seis milhões de hectares por ano e tendências semelhantes foram observadas para a vida marinha e ecossistemas costeiros, como barreiras de coral e mangues.

A abundância e a variedade de espécies continuam a cair em todo o planeta, segundo um índice que mede a porcentagem de espécies com boas perspectivas de sobrevivência. A variedade de aves está em queda em cada tipo diferente de ecossistema, dos oceanos a florestas.

O relatório afirma que, apesar das tendências sombrias, o objetivo estabelecido pela Convenção - que envolve estabilização, e não a reversão destas perdas - ainda é possível.

"Os esforços precisam estar totalmente concentrados no tratamento das causas principais da perda de biodiversidade", afirma o relatório GBO.

Entre as causas, o relatório identifica a diminuição de habitat, devido à expansão da agricultura, mudanças climáticas, alta exploração de espécies de animais, com pesca desenfreada, por exemplo, entre outros.

Fêmeas 'virgens' de lagartos dão à luz na Grã-Bretanha

BBC BRASIL
21 de dezembro, 2006
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2006/12/061221_dragao_nasce_pu.shtml
[Veja o vídeo da reportagem no link]

Duas fêmeas de dragão-de-komodo residentes em zoológicos da Grã-Bretanha impressionaram a comunidade científica ao dar cria sem a ajuda de um exemplar macho da espécie.


Reprodução sem sexo é arma para perpetuar espécie, afirma cientista


Testes revelaram que os ovos dos dois lagartos se desenvolveram sem serem fertilizados por esperma em um processo conhecido como partenogênese.

As observações dos pesquisadores foram publicadas nesta quinta-feira na revista científica Nature.

Em um dos casos (o de Flora, que vive no zoológico de Chester), os filhotes devem nascer na época do Natal, o que levou os pesquisadores a traçarem um paralelo com a figura bíblica da "concepção imaculada".

"Procuraremos um pastor, homens sábios e uma estrela brilhante no céu do zoológico de Chester", brinca Kevin Buley, um dos co-autores do estudo.

O outro caso é o de Sungai, um dragão-de-komodo fêmea que vive no zoológico de Londres.

No início deste ano, mais de dois anos após seu último contato com um macho da espécie, ela teve quatro filhotes, que permanecem saudáveis e crescem normalmente, de acordo com o mesmo estudo.

Sungai também foi capaz de reproduzir pelo método tradicional e deu cria com a ajuda de um lagarto macho batizado de Raja.


Anormalidade

Outro co-autor do estudo, o cientista Richard Gibson, da Sociedade de Zoologia de Londres, diz que a partenogênese já foi identificada em cerca de 70 espécies de vertebrados, incluindo cobras, peixes, um lagarto e até um peru, mas sempre como um "fenômeno incomum, talvez anormal".

"Agora, vimos dois casos separados e não relacionados em apenas um ano, sugerindo que talvez a partenogênese seja muito mais difundida e comum do que achávamos", afirma o cientista.

Gibson acrescentou que uma das explicações para os nascimentos pode ser o fato de as fêmeas terem sido mantidas em cativeiro por muitos anos sem a presença de machos.

"Mas a habilidade de reproduzir através da partenogênese é obviamente uma capacidade ancestral", avalia.

Para o pesquisador, a capacidade de realizar a partenogênese garante a reprodução da espécie mesmo que uma fêmea viva isolada em uma ilha deserta, por exemplo.

Menos de 4 mil exemplares dos maiores lagartos do planeta, que podem alcançar até três metros de comprimento, vivem em áreas selvagens, nas ilhas indonésias de Komodo, Flores e Rinca.

Pela genética do processo, as crias sempre serão lagartos machos, que por sua vez procriarão com a própria mãe para perpetuar a espécie.

Para preservar a diversidade dos dragões-de-komodo, cientistas têm sugerido que machos e fêmeas vivam juntos em zoológicos.


[Para saber mais:
http://vestcinco.blogspot.com/search/label/Partenog%C3%AAnese

Saturday, June 09, 2007

Código institui normas para evitar maus-tratos de animais

Por: Agencia Câmara
Pauta - 08/06/2007 17h16
Reportagem - Patricia Roedel
Edição - Rosalva Nunes

A Câmara analisa o Projeto de Lei 215/07, de autoria do deputado Ricardo Tripoli (PSDB-SP), que institui o Código Federal de Bem-Estar Animal. A proposta estabelece normas para as atividades de controle populacional e de zoonoses, experimentação científica e criação.

O projeto, segundo Tripoli, atende ao padrão mundial que reprova os maus-tratos aos animais domésticos, àqueles usados em testes científicos e de produtos cosméticos e aos criados para consumo humano.

O autor cita a experiência do Farm Animal Welfare Council, do Reino Unido, que defende em suas normas que os animais devem estar livres de ferimentos, doenças, fome, sede, desconforto, dor, medo e estresse.

Segundo a proposta, os animais domésticos, os recolhidos pelo Poder Público e os mantidos em criadouros deverão ficar em ambiente que garanta cada fase de seu desenvolvimento, consideradas as condições sanitárias e ambientais, de temperatura, umidade relativa, quantidade e qualidade do ar, níveis de luminosidade, exposição solar, ruído, espaço físico, alimentação, enriquecimento ambiental e segurança.

Testes de produtos
O projeto determina que os laboratórios que não usarem animais em testes poderão receber benefícios ou incentivos fiscais e exibir, nos rótulos das embalagens de seus produtos, a expressão "produto não testado em animais". Em contrapartida, as empresas que optarem por testar os produtos em animais também deverão trazer essa informação nos rótulos.

Testes científicos
O texto proíbe o uso de animais para fins científicos ou didáticos quando existirem métodos alternativos ou substitutivos à experimentação ou se o procedimento causar dor, estresse ou desconforto ao animal. As escolas também não poderão usar animais em seus laboratórios.

A anestesia será obrigatória nos procedimentos dolorosos e não poderá ser substituída por bloqueadores neuromusculares ou relaxantes musculares.

A experimentação ficará condicionada ao compromisso moral do pesquisador ou professor, firmado por escrito, responsabilizando-se por evitar sofrimento físico e mental ao animal.

Controle populacional
O código estabelece normas para enfrentar o problema da superpopulação de cães e gatos nos centros urbanos. O deputado lembra que muitos municípios ainda utilizam a prática de sacrificar esses animais como forma de controle sanitário. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), "o recolhimento e a eliminação de animais são contraproducentes tanto para se manter uma população não suscetível à raiva quanto para o controle da produção animal".

Tripoli propõe no código o controle da população de cães e gatos com a implantação de programas de registro e identificação de animais, associados à esterilização e à adoção. Ele sugere também a instituição de um cadastro nacional de estabelecimentos de criação e comercialização de animais.

Os animais doentes ou agressivos deverão ser recolhidos das ruas, dentro de normas de bem-estar: eles não poderão ser arrastados, laçados ou içados; deverão ser contidos por mordedor ou guia macios; cães deverão ficar separados de gatos; e as fêmeas deverão ser recolhidas junto de suas ninhadas.

Os animais recolhidos serão esterilizados e poderão ser devolvidos ao local de procedência, encaminhados à adoção ou doados.

Criação
O projeto institui ainda normas de bem-estar na criação, reprodução, manejo, transporte, comercialização e abate dos animais destinados ao consumo ou para produção de subprodutos. O autor lembra que o Brasil é o maior exportador de carne bovina do mundo, além do segundo maior em frangos e o quinto em carne suína.

O texto proíbe o transporte de animais a pé; com patas amarradas; de cabeça para baixo; em contêiner pequeno para seu tamanho. No abate, será obrigatório o uso de métodos de insensibilização do animal, e vedado o uso de marreta ou choupa. Os bovinos encaminhados ao abate entre 15 e 18 meses não poderão ser castrados. Na castração dos demais, será obrigatório o uso prévio de anestesia.
Também fica proibida a criação de bovinos para comercialização de carne de vitela (bovino com menos de um ano).

A criação de suínos deverá prever um comedouro para cada quatro animais e um bebedouro para cada dez. Os leitões não poderão ser desmamados antes de completar três semanas de idade e não poderão ser castrados antes de atingir a puberdade.

Tramitação
O PL 215/07 será analisado pelas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. A proposta tramita em caráter conclusivo e a ela foi apensado o Projeto de Lei 1158/07, do deputado Silvinho Peccioli (DEM-SP), que trata da posse responsável de animais domésticos.

Íntegra da proposta:
- PL-215/2007

Animais Ameaçados de Extinção, por BBC BRASIL

http://www.bbc.co.uk/portuguese/especial/1314_wwfg/index.shtml
BBC BRASIL: Em imagens - Animais ameaçados de extinção [pop up]


INTRODUÇÃO

Foto: WWF-Canon/Edward Parker

Em outubro, a Convenção da ONU sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Extinção (CITES, em inglês), vai se reunir na capital tailandesa, Bangcoc.
O Fundo Mundial para a Natureza (WWF, em inglês) elaborou uma lista de espécies consideradas as mais ameaçadas pelo comércio internacional. (...)

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Peixe Napoleão
(Cheilinus undulatus)



Habitante dos corais, o peixe napoleão é muito procurado por restaurantes do leste da Ásia.

A clientela dos restaurantes come os lábios, olhos e a carne do peixe. O quilo está cotado a mais de US$ 100.

A pesca é intensa demais para ser sustentável, porque é um peixe raro que demora para se reproduzir.

Foto: WWF-Canon/Darren Jew




Golfinho-de-Irawaddy
(Orcaella brevirostris)




Golfinho-de-Irawaddy
(Orcaella brevirostris)


O WWF diz que as maiores ameaças a este raro cetáceo, que vive em várias partes do sudoeste da Ásia, são as redes de pesca, onde o animal fica enroscado, e ferimentos resultantes de dinamite usado em determinados tipos de pesca.


Foto: WWF-Canon/Alain Compost

Elefantes Asiáticos
(Elephas maximus)



A caça de elefantes por seu marfim e carne é um problema grave para a espécie em vários países asiáticos, onde os animais também sofrem a perda de seu habitat natural.

A apreensão de marfim ilegal vem aumentando desde 1995, com o comércio ilegal estimulado pela grande demanda na China.


Foto: WWF-Canon/A. Christy Williams

Tigres
(Panthera tigris)



A população global de tigres diminuiu em 95 % no século passado, de acordo com a WWF. Pode haver menos de 5 mil ainda na natureza.

Os tigres são caçados por causa de sua pele e também pelos ossos, usados na tradicional medicina do Extremo Oriente.


Foto: WWF-Canon/Martin Harvey

Grande Tubarão Branco
(Carcharodon carcharias)



O grande tubarão branco é o maior predador da espécie. Ele é cobiçado por caçadores por causa de sua mandíbula, dentes e barbatanas, usadas para fazer sopa.

Às vezes os tubarões têm suas barbatanas retiradas e são, em seguida, devolvidos ao mar, onde morrem lentamente ou são devorados por outros tubarões.

Foto: WWF-Canon/Wildlife Pictures/Jêrome Mallefet

Gecko cauda-de-folha
(Uroplatus spp.)



Todas as dez espécies deste tipo de réptil que se parece com um lagarto são encontradas em Madagascar.

Sua pele se parece com casca de árvore.

Muitos são vendidos como animais de estimação. Eles sofrem ainda a perda de seu habitat natural.

Foto: WWF-Canon/Martin HARVEY