Vagner Magalhães
Direto de São Paulo
Com a cidade de São Paulo em estado de alerta pelo terceiro dia consecutivo, por conta da baixa umidade do ar e a concentração de poluentes, o paulistanos têm sentido os efeitos e lotado as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e hospitais estaduais em busca de auxílio para problemas respiratórios.
(c)Robson Lan/vc repórter

São Paulo sofre com a baixa umidade do ar e camada de poluentes pode ser observada a olho nu
A concentração da poluição no ar - que pode ser notada a olho nu - faz com que o paulistano inspire uma quantidade de partículas tóxicas que equivalem ao consumo de até quatro cigarros ao dia. É que diz o patologista Paulo Saldiva, do Hospital das Clínicas de São Paulo.
"É um exemplo bastante paupável, para que as pessoas percebam o que estão respirando em um dia como hoje. A umidade no ar abaixo dos 30% provoca o ressecamento das vias respiratórias e agrava doenças crônicas como rinite e asma", diz.
Para ele, o exemplo deve ser analisado como um todo. "Fumar três ou quatro cigarros diários pode não levar uma pessoa à morte, mas certamente vai agravar outras doenças. Vale lembrar também que a poluição atinge a todos, como crianças, idosos e mulheres grávidas, o que torna a situação ainda mais crítica", diz.
Nesta quinta-feira, por volta das 10h30, os bairros de Perus, zona norte, e Parelheiros, zona sul, apresentavam os menores índices de umidade relativa do ar da cidade: 34 e 37% respectivamente.
"Esses índices, ainda pela manhã, nos fazem acreditar que no meio da tarde, quando a situação costuma piorar, os níveis fiquem abaixo de 30 e até de 20%", diz a meteorologista Lucyara Rodrigues, do Centro de Gerenciamento de Emergências de São Paulo.
Segundo ela, a situação só deve melhorar na próxima semana, a partir de quarta-feira, quando estão previstas pancadas de chuva que ajudam a dissipar os poluentes.
"Este ano o período de chuvas terminou mais cedo, ainda no meio de março, o que colabora para que a qualidade do ar piore.
Precauções
O patologista Paulo Saldiva recomenda que as pessoas evitem exercícios físicos entre as 10h e as 17h e que, em casa, coloquem recipientes com água para aumentar a umidade.
"Quem tem problema respiratório e tem a possibilidade de ficar em casa, deve fazê-lo. As pessoas devem evitar se expor, principalmente nos horários mais críticos", diz.
Para o patologista, nessa situação deveria se limitar o fluxo de veículos na cidade, principal fonte poluidora. "Não tem jeito. Não há investimentos do setor público e tudo o que se pode fazer são medidas paliativas para que as pessoas sofram menos. Porém, o que é preciso é combater as fontes poluidoras."

No comments:
Post a Comment